domingo, 21 de maio de 2017

Os jovens, a fé e o discernimento vocacional - Parte3

Percursos de vocação e missão 
       
O discernimento vocacional não se completa com um único ato, não obstante na narração de cada vocação seja possível identificar momentos ou encontros decisivos. Como todas as realidades importantes da vida, também o discernimento vocacional é um processo longo, que se desenvolve ao longo do tempo, durante o qual é preciso continuar a velar sobre as indicações com as quais o Senhor determina e especifica uma vocação, que é primorosamente pessoal e irrepetível. 
O Senhor pediu a Abraão e Sara que partissem, mas foi somente num caminho progressivo e não sem passos falsos que se esclareceu qual era a inicialmente misteriosa “terra que Eu te mostrarei” (Gn 12, 1). A própria Maria progride na consciência da sua própria vocação através da meditação sobre as palavras que ouve e os eventos que lhe acontecem, inclusive aqueles que Ela não compreende (cf. Lc 2, 50-51).
O tempo é fundamental para verificar a orientação efetiva da decisão tomada. Como ensina cada página do texto bíblico, não existe vocação que não seja ordenada para uma missão acolhida com temor ou com entusiasmo.
Aceitar a missão implica a disponibilidade de arriscar a própria vida e percorrer o caminho da cruz, nos passos de Jesus que, com determinação, se pôs a caminho rumo a Jerusalém (cf. Lc 9, 51) para entregar a própria vida pela humanidade. Só se a pessoa renunciar a ocupar o centro da cena com as suas próprias necessidades é que se abrirá o espaço para receber o projeto de Deus sobre a vida familiar, o ministério ordenado ou a vida consagrada, assim como para desempenhar com rigor a própria profissão e buscar sinceramente o bem comum. 
Em particular nos lugares onde a cultura é mais profundamente marcada pelo individualismo, é necessário averiguar quanto as escolhas são ditadas pela própria autorrealização narcisista e, ao contrário, em que medida elas abrangem a disponibilidade a viver a existência pessoal na lógica do dom generoso de si mesmo. É por isso que o contato com a pobreza, a vulnerabilidade e a carência revestem uma grande importância nos percursos de discernimento vocacional. No que se refere aos futuros pastores, é oportuno acima de tudo avaliar e promover o crescimento da disponibilidade a deixar-se impregnar pelo “cheiro de ovelhas”.

Ir. Mery Elizabeth de Sousa, fsp



Fonte: DOCUMENTO PREPARATÓRIO - SÍNODO DOS BISPOS 2018 - XV ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA - Os jovens, a fé e o discernimento vocacional.

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